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10 de Fev, 2026 Equipa Técnica Coaterex 9 min de leitura

Por que os laminados plásticos tradicionais estão a falhar as marcas modernas

Os laminados plásticos bloqueiam a reciclagem, geram multas regulatórias e prejudicam a reputação das marcas. Descubra a alternativa funcional que já os está a substituir nas principais plantas de papel canelado.

Imagine isto: a sua caixa com uma marca bonita sai da fábrica com um aspeto perfeito. Mas após 2 semanas num contentor de transporte húmido, chega ao retalhista como uma bagunça encharcada e esmagada. Durante décadas, a resposta da indústria a este problema de humidade foi simples: laminar o cartão com uma camada de Polietileno (PE). Funcionava para manter a água de fora. Mas criou um problema muito maior que as marcas modernas já não podem ignorar: embalagens que parecem sustentáveis mas que, na prática, são impossíveis de reciclar. Este artigo explica por que os laminados plásticos estão a falhar, quais regulamentações os estão a eliminar e qual é a alternativa técnica que os principais conversores já estão a adotar.

O que é um laminado plástico e por que foi usado durante décadas?

Um laminado plástico é uma estrutura composta onde uma ou mais camadas finas de plástico (geralmente Polietileno de Baixa Densidade, LDPE) são unidas por calor ou adesivo a um substrato de papel ou cartão. A proposta de valor era clara: o papel fornecia resistência estrutural e superfície imprimível, enquanto o plástico bloqueava a água, a gordura e os gases. Durante os anos 80 e 90, foi a solução dominante para caixas de frutas e vegetais, embalagens de alimentos congelados, tabuleiros de talho e distribuição de produtos frescos. A tecnologia era confiável, o custo era baixo e não havia alternativas com desempenho comparável. O problema chegou quando o mundo começou a medir o verdadeiro preço de misturar plástico e papel.

  • Barreira à humidade: o PE bloqueava a água líquida e o vapor, protegendo a resistência estrutural da caixa.
  • Barreira à gordura: camadas mais espessas resistiam a óleos vegetais e animais.
  • Compatibilidade de vedação: o PE permitia a selagem térmica direta sem adesivos adicionais.
  • Baixo custo por metro quadrado em volumes industriais.

O colapso do modelo: por que a reciclagem rejeita os laminados

O papel canelado é o material de embalagem mais reciclado do mundo, com taxas que superam 85% em muitos países. Mas esse desempenho depende de uma condição crítica: o papel deve chegar à fábrica de reciclagem livre de contaminantes que não podem ser facilmente separados durante o processo de repulpagem. Quando o cartão laminado com PE entra no hidropulpador — a máquina que dissolve o papel em água quente para recuperar a fibra — o seguinte acontece:

  • O papel dissolve-se em minutos. O PE, no entanto, não: torna-se fragmentos plásticos flutuantes que contaminam a polpa.
  • Os operadores têm de parar a máquina periodicamente para remover o plástico acumulado, gerando tempo de inatividade e custos de manutenção.
  • A polpa contaminada com microplásticos produz papel reciclado de menor qualidade, vendido a preços mais baixos ou descartado.
  • As fábricas de reciclagem rejeitam cargas de cartão laminado quando a contaminação excede os seus limites operacionais (tipicamente >3% de impurezas plásticas).
  • O material rejeitado acaba em aterros ou incineração, anulando qualquer benefício da reciclagem.

O tsunami regulatório: PPWR e o fim das embalagens não recicláveis

A pressão industrial interna é séria. Mas a pressão regulatória é urgente. O Regulamento de Embalagens e Resíduos de Embalagens da União Europeia (PPWR), publicado em 2024 com implementação faseada até 2030, estabelece mandatos que mudam completamente as regras para os fabricantes e marcas que vendem na Europa ou em mercados que adotam padrões similares.

  • Até 2030, todas as embalagens comercializadas na UE devem ser efetivamente recicláveis — não apenas tecnicamente possível, mas recicláveis nos sistemas de recolha existentes.
  • As embalagens que reprovarem nos testes certificados de repulpabilidade (como o método PTS-RH 021/97 ou equivalentes) serão classificadas como não conformes e sujeitas a restrições de mercado.
  • As marcas devem declarar o conteúdo reciclado das suas embalagens e demonstrar reciclabilidade real em cadeias de valor documentadas.
  • França, Alemanha e Países Baixos já têm esquemas de Responsabilidade Alargada do Produtor (EPR) que penalizam financeiramente as embalagens não recicláveis.
  • Mercados na América Latina como Colômbia, México, Brasil e Chile estão a adotar frameworks regulatórios similares com horizontes 2025-2028.

O custo invisível que ninguém está a medir

Para além do risco regulatório, existe um custo oculto que a maioria dos gestores de compras não tem na sua equação: o custo da reputação. Na última década, o conceito de greenwashing — fazer afirmações de sustentabilidade sem suporte real — passou de ser um risco de imagem a ser um risco legal. Na UE, a Diretiva Green Claims (2023) exige que qualquer declaração ambiental na embalagem seja verificável e auditada. As marcas que usam laminados plásticos nas suas caixas enquanto declaram compromisso com a circularidade estão expostas a:

  • Processos judiciais de consumidores e organismos regulatórios por publicidade enganosa.
  • Perda de certificações de sustentabilidade que permitem o acesso a lojas e cadeias premium.
  • Exclusão de concursos de grandes retalhistas que exigem uma cadeia de abastecimento verificavelmente sustentável.
  • Penalização em classificações ESG que afetam o acesso a financiamento verde e investimento institucional.

A alternativa comprovada: revestimentos funcionais de base aquosa

A boa notícia é que a indústria já tem uma resposta técnica madura. Os revestimentos funcionais de base aquosa são formulações poliméricas aplicadas em fase aquosa sobre substratos de papel ou filme. Uma vez secos e curados, formam uma película contínua que bloqueia a água, o vapor, a gordura ou o oxigénio — ou combinações destes — sem comprometer a reciclabilidade do substrato. Ao contrário do PE laminado, estas películas dissolvem-se no processo de repulpagem juntamente com as fibras de papel, o que significa que o cartão revestido supera os testes de repulpabilidade e pode entrar no fluxo de reciclagem padrão.

  • Repulpabilidade certificada: compatíveis com certificações como o método PTS-RH 021/97 e programas de verificação da FEFCO.
  • Desempenho comparável ao PE: valores Cobb de 15-35 g/m² para resistência à água; Kit 8-12 para resistência à gordura.
  • Sem etapas adicionais de conversão: aplicados inline no corrugador ou na prensa flexográfica existente.
  • Compatível com tintas, adesivos e processos de corte-vinco padrão sem grandes modificações.
  • Sem PFAS, sem ceras de parafina: formulações livres de Substâncias de Muito Alta Preocupação (SVHC).
  • Dados técnicos mensuráveis e auditáveis: cada lote pode ser documentado com Cobb, MVTR e Kit test para rastreabilidade de qualidade.

Comparação técnica: laminado PE vs. revestimento funcional de base aquosa

Esta é a comparação que os gestores de produção precisam de ter em cima da mesa antes de tomar uma decisão:

  • Barreira à água (Cobb): Laminado PE: 5-12 g/m² | Revestimento de base aquosa: 15-35 g/m² — ambos suficientes para 90% das aplicações de papel canelado.
  • Barreira à gordura (Kit 3M): Laminado PE espesso: Kit 6-8 | Revestimentos avançados (VaporCoat®): até Kit 12.
  • Repulpabilidade: Laminado PE: NÃO repulpável (reprovação no teste PTS). Revestimento de base aquosa: SIM repulpável (certificado viável).
  • Velocidade de linha: Laminado PE: etapa adicional = 20-40% menos velocidade efetiva. Revestimento de base aquosa: inline = sem perda de velocidade.
  • Pegada de carbono: Laminado PE: alta (produção de resina + processo de laminação). Base aquosa: reduzida (sem solventes, menor energia de processo).
  • Custo total: Laminado PE: baixo em material, alto em processo + risco regulatório. Base aquosa: custo de material semelhante ou superior, sem custo de conversão adicional nem penalização futura.

Casos de uso: quando faz sentido fazer a transição hoje?

Nem todas as aplicações têm a mesma urgência nem o mesmo perfil de risco. Estes são os segmentos onde a migração para revestimentos de base aquosa tem maior retorno imediato:

  • Exportadores de frutas e vegetais: as cadeias de supermercados europeias (Lidl, Aldi, Carrefour) já estão a exigir certificação de reciclabilidade aos seus fornecedores de cartão.
  • Fabricantes de caixas para e-commerce: as grandes plataformas (Amazon, Mercado Livre) publicaram guias de embalagem sustentável que penalizam materiais não recicláveis.
  • Produtores de alimentos congelados: a combinação de humidade + frio é o ambiente mais exigente para o cartão, e os revestimentos avançados já atingem valores Cobb <20 g/m² nestas condições.
  • Food service e entrega de alimentos quentes: os revestimentos com dupla barreira (água + gordura) substituem os tabuleiros de plástico e as caixas laminadas com PE num único passo.
  • Conversores com clientes na Europa ou mercados ESG: qualquer empresa que venda a clientes com metas de sustentabilidade documentadas tem pressão contratual para mudar já.

Como a Coaterex facilita a transição sem parar a produção

O medo mais comum que ouvimos dos gestores de planta é: e se o revestimento não correr bem no meu corrugador? É uma pergunta válida. Mudar a química numa linha de produção contínua acarreta riscos reais se não for feito com método. Na Coaterex, acompanhamos cada transição com uma metodologia comprovada em mais de 40 implementações na América Latina:

  • Diagnóstico técnico gratuito: avaliamos a sua linha, substratos, tintas e sistema de secagem para identificar o revestimento exato e os ajustes de processo necessários.
  • Validação em laboratório antes do ensaio na planta: entregamos dados de Cobb, Kit e MVTR no seu papel específico antes de processar uma única folha em produção.
  • Ensaio piloto de baixo risco: desenhamos uma corrida de teste num turno programado, com um técnico Coaterex presente, documentando cada variável.
  • Protocolo de escalonamento: uma vez validado o piloto, definimos as gamas de operação (viscosidade, gramagem, temperatura de secagem) para garantir consistência turno a turno.
  • Suporte contínuo: dispomos de serviço técnico de resposta rápida para ajustes em produção sem necessidade de parar a linha.

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